Ontem, comecei a panicar.
Deitei-me e parecia que não conseguia respirar. Pensei "raios, falta de ar! será que tenho a coisa?". E depois lembrei-me que o que eu tinha era um ataque de ansiedade.
Confesso que tentei tudo: respirações, meditações. Não resultou. Levantei-me e fui para a sala ler. Tomei um Valdispert e a coisa acalmou.
O meu maior medo não é o bicho em si. O meu maior medo é o que vem por aí enquanto isto não passa. Temo que os supermercados deixem de ter o que comprar. Temo que deixemos de ter o que comer.
Tento afastar estes medos da minha cabeça e enfrentar a coisa com bom-humor. Não há outra maneira.
Lembrei-me ontem do filme A Vida é Bela. A maior e mais bonita lição de vida de todos os tempos. Roberto Benigni interpreta o papel de um pai judeu, que se vê num campo de concentração nazi com o filho pequeno. Como só o amor é capaz, ele consegue que o filho acredite que tudo aquilo é um jogo e uma brincadeira. Seremos nós capazes de fazer o mesmo com os nossos filhos? Teremos a capacidade de levar os dias de forma descontraída e fazer das agruras, oportunidades?
Inspirar, expirar. Acreditar que há-de ficar tudo bem, ter fé e esperança que tudo isto passe mais depressa do que mais devagar. Disto se têm de fazer os dias.
terça-feira, 17 de março de 2020
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