Carnaxide, 16 de março de 2020.
Este sim, é, em Portugal, o dia 1 para a maioria de nós.
Este sim, é, em Portugal, o dia 1 para a maioria de nós.
Ontem era Domingo, e o Domingo não conta.
É certo que foi um Domingo diferente. Como foi um Sábado diferente. Desde 6ª feira, no momento em que entrámos em casa, que sabemos que agora é para ficar. Só não sabemos até quando. As escolas estão fechadas a partir de hoje e as empresas onde trabalhamos, eu e o Miguel, decidiram também fechar.
Sou, regra geral, uma pessoa optimista, que vê o copo sempre meio cheio, que acredita que amanhã vai ser melhor do que hoje e, se não poder ser melhor, será, pelo menos, igual. Tentarei manter este estado de espírito nos tempos que se avizinham, sabendo que o cansaço do confinamento me poderá derrubar em alguns momentos.
Apesar do optimismo, não tenho ilusões. Estamos todas a pensar que estaremos "duas semanas em casa".
Não.
Não estaremos duas semanas. Estaremos, no mínimo, dois meses. E dois meses é o meu lado positivo a falar.
Não.
Não estaremos duas semanas. Estaremos, no mínimo, dois meses. E dois meses é o meu lado positivo a falar.
O fim-de-semana viveu-se de forma diferente. O facto de se saber que sair, não sendo proibido, não é aconselhável, muda tudo.
Sábado de manhã ainda fomos os 3 à mata do Jamor fazer uma caminhada. Poucas pessoas e distantes, o risco é próximo do zero. O dia estava perfeito e o nosso terraço, sempre cheio de vento, estava calmo e com a temperatura certa. Aproveitei para começar a limpar. Arrancar as ervas que crescem entre azulejos e varrer o lixo que se acumula nos cantos. Tirar as ervas daninhas dos vasos e regar. Apanhar a dose diária de vitamina C. Começar a preparar o terraço para os tempos que aí vêm. Imagino que irei dar uso a este espaço muito mais do que nos últimos 14 anos e será este o momento em que agradeço a sua existência.
Para cima já trouxemos os skates e a bola de voilei. As bicicletas virão mais tarde, quando o vento frio que depois se instalou se for embora novamente.
Abril e Maio são sempre os melhores meses para estar neste terraço. Sorte a nossa.
Ao final do dia e à noite foi tempo de jogar: Uno primeiro, Scategories depois. E um episódio do Castle antes de ir dormir, que apesar de ser uma série policial, onde há sempre um homicídio mais ou menos macabro, é sempre num tom bem-disposto e divertido.
Lembrei-me, entretanto, que podemos estar afastados, mas temos de continuar juntos e eu preciso de saber que os "meus" estão bem. Precisamos todos. Sabemos que os períodos de isolamento são tremendamente perigosos para o ser humano, afinal, somos um animal social e é preciso garantir que mantemos a sanidade mental.
Criei, por isso, um novo grupo no Facebook, "Amor em Tempos de Guerra", um Gloriosos Malucos dos tempos modernos. Será mais fácil saber uns dos outros, partilhar palhaçadas, animarmo-nos, sentirmo-nos menos sozinhos. E, se a coisa apertar para alguém, pedir ajuda, partilhar o que se tiver. Escusado será dizer que o grupo tem estado uma animação!
O Domingo passou-se com algumas arrumações adiadas há meses: os armários da casa de banho (quanta porcaria somos capazes de guardar!), passar a ferro, tratar da roupa, ver filmes.
Penso muito nas pessoas que estão sozinhas e tive este fim de semana uma angústia acrescida com a minha amiga Inês. Operada na 5ª feira a um mioma, não teve direito a visitas estes dias todos. Para melhorar a situação, a mãe da Inês teve um problema de saúde na 2ª feira e está internada desde então. Sem visitas. O Pai está sozinho.
Sinto-me no meio disto, uma privilegiada.
A Inês devia ter saído ontem do hospital, mas como tinha febre, ficou. Teve alta hoje de manhã e fui buscá-la e levá-la a casa.
As ruas têm mais pessoas do que eu imaginei. Muitos cafés ainda abertos, muitas filas à porta das farmácias, que neste momento já não se entra no espaço, o atendimento é feito "ao postigo".
O nosso plano é sair apenas para ir ao supermercado. Apenas isso. Para nós e para quem precise.
Nunca imaginei que um dia viveria algo semelhante a isto. E, no entanto, cá estou.
Sim, a humanidade já passou por muitas epidemias, por muitas guerras e de uma maneira ou outra sobreviveu, reergueu-se. Mas isso foi a "humanidade", não fomos "nós".
Um dia seremos apenas números numa encicliopédia. Seremos um momento da história, onde mais uma vez será referida a capacidade que o ser humano tem em se ultrapassar.
O que os livros não dizem, nem podem dizer, é o preço que cada indivíduo tem de pagar para que isso seja possível.
O que vivemos hoje, é uma guerra.
Uma guerra onde não rebentam bombas, nem se disparam tiros, mas onde morrem pessoas.
Uma guerra onde não há gritos de desespero, só o silêncio do isolamento.
Uma guerra onde a distância nos fortalece. (E, infelizmente, há quem ainda não tenha percebido isso).
Estamos em guerra. E o inimigo somos nós.
Mas não é de desgraças nem de pessimismo que se farão estes dias. No way!
Decidimos que temos de manter rotinas e princípios. Nada de deitar às tantas e acordar quando se quer, vegetar pelo sofá e ver filmes o dia todo. Nada disso!
Vamos tentar manter as rotinas mais ou menos inalteradas. Deitar até às 23h30. Acordar por volta das 8h30 (e isto já é um grande privilégio em relação à vida normal). Tomar o pequeno-almoço, tomar banho e vestir, fazer a cama.
Tenciono, pormenor importante, pôr perfume todos os dias! (bem, talvez não todos os dias que sabe Deus quando é que o vou conseguir comprar um novo outra vez!).
A Daniela tem um grupo online com os colegas e professores para irem fazendo trabalhos e fichas. De qualquer forma está decidido que irá pegar numa matéria todos os dias, ler o que já deu, fazer exercícios do livro de fichas, espreitar a matéria que aí vem.
Eu tenho uma ou outra coisa de trabalho para fazer (que vai escassear cada vez mais), mas tenciono sentar-me todas as manhãs ao computador e escrever. Escrever aqui, relatando esta nova vida e escrevendo a história que tenho há muito para contar. Foi-se a derradeira desculpa: falta de tempo!
O Miguel fará o que entender, ler um livro, ouvir um disco.
Almoçamos por volta da 1h e à tarde vamos dedicar-nos a arrumações e limpezas.
Teremos também que pensar em formas de nos mexer. Aulas de ginástica online, danças no meio da sala, o que for. Vou propor uma reunião com os membros desta equipa para nos organizarmos também com este objectivo. Não será fácil manter o foco, mas será fundamental. Talvez seja desta que eu aprendo a tocar meia dúzia de músicas na guitarra.
Vamos gerindo os dias, tentando manter rotinas. As rotinas são importantes para nos transmitirem um sentimento de segurança e não as podemos descurar.
Por hoje é isto.
Força, Foco e Fé para todos nós!
Ao final do dia e à noite foi tempo de jogar: Uno primeiro, Scategories depois. E um episódio do Castle antes de ir dormir, que apesar de ser uma série policial, onde há sempre um homicídio mais ou menos macabro, é sempre num tom bem-disposto e divertido.
Lembrei-me, entretanto, que podemos estar afastados, mas temos de continuar juntos e eu preciso de saber que os "meus" estão bem. Precisamos todos. Sabemos que os períodos de isolamento são tremendamente perigosos para o ser humano, afinal, somos um animal social e é preciso garantir que mantemos a sanidade mental.
Criei, por isso, um novo grupo no Facebook, "Amor em Tempos de Guerra", um Gloriosos Malucos dos tempos modernos. Será mais fácil saber uns dos outros, partilhar palhaçadas, animarmo-nos, sentirmo-nos menos sozinhos. E, se a coisa apertar para alguém, pedir ajuda, partilhar o que se tiver. Escusado será dizer que o grupo tem estado uma animação!
O Domingo passou-se com algumas arrumações adiadas há meses: os armários da casa de banho (quanta porcaria somos capazes de guardar!), passar a ferro, tratar da roupa, ver filmes.
Penso muito nas pessoas que estão sozinhas e tive este fim de semana uma angústia acrescida com a minha amiga Inês. Operada na 5ª feira a um mioma, não teve direito a visitas estes dias todos. Para melhorar a situação, a mãe da Inês teve um problema de saúde na 2ª feira e está internada desde então. Sem visitas. O Pai está sozinho.
Sinto-me no meio disto, uma privilegiada.
A Inês devia ter saído ontem do hospital, mas como tinha febre, ficou. Teve alta hoje de manhã e fui buscá-la e levá-la a casa.
As ruas têm mais pessoas do que eu imaginei. Muitos cafés ainda abertos, muitas filas à porta das farmácias, que neste momento já não se entra no espaço, o atendimento é feito "ao postigo".
O nosso plano é sair apenas para ir ao supermercado. Apenas isso. Para nós e para quem precise.
Nunca imaginei que um dia viveria algo semelhante a isto. E, no entanto, cá estou.
Sim, a humanidade já passou por muitas epidemias, por muitas guerras e de uma maneira ou outra sobreviveu, reergueu-se. Mas isso foi a "humanidade", não fomos "nós".
Um dia seremos apenas números numa encicliopédia. Seremos um momento da história, onde mais uma vez será referida a capacidade que o ser humano tem em se ultrapassar.
O que os livros não dizem, nem podem dizer, é o preço que cada indivíduo tem de pagar para que isso seja possível.
O que vivemos hoje, é uma guerra.
Uma guerra onde não rebentam bombas, nem se disparam tiros, mas onde morrem pessoas.
Uma guerra onde não há gritos de desespero, só o silêncio do isolamento.
Uma guerra onde a distância nos fortalece. (E, infelizmente, há quem ainda não tenha percebido isso).
Estamos em guerra. E o inimigo somos nós.
Mas não é de desgraças nem de pessimismo que se farão estes dias. No way!
Decidimos que temos de manter rotinas e princípios. Nada de deitar às tantas e acordar quando se quer, vegetar pelo sofá e ver filmes o dia todo. Nada disso!
Vamos tentar manter as rotinas mais ou menos inalteradas. Deitar até às 23h30. Acordar por volta das 8h30 (e isto já é um grande privilégio em relação à vida normal). Tomar o pequeno-almoço, tomar banho e vestir, fazer a cama.
Tenciono, pormenor importante, pôr perfume todos os dias! (bem, talvez não todos os dias que sabe Deus quando é que o vou conseguir comprar um novo outra vez!).
A Daniela tem um grupo online com os colegas e professores para irem fazendo trabalhos e fichas. De qualquer forma está decidido que irá pegar numa matéria todos os dias, ler o que já deu, fazer exercícios do livro de fichas, espreitar a matéria que aí vem.
Eu tenho uma ou outra coisa de trabalho para fazer (que vai escassear cada vez mais), mas tenciono sentar-me todas as manhãs ao computador e escrever. Escrever aqui, relatando esta nova vida e escrevendo a história que tenho há muito para contar. Foi-se a derradeira desculpa: falta de tempo!
O Miguel fará o que entender, ler um livro, ouvir um disco.
Almoçamos por volta da 1h e à tarde vamos dedicar-nos a arrumações e limpezas.
Teremos também que pensar em formas de nos mexer. Aulas de ginástica online, danças no meio da sala, o que for. Vou propor uma reunião com os membros desta equipa para nos organizarmos também com este objectivo. Não será fácil manter o foco, mas será fundamental. Talvez seja desta que eu aprendo a tocar meia dúzia de músicas na guitarra.
Vamos gerindo os dias, tentando manter rotinas. As rotinas são importantes para nos transmitirem um sentimento de segurança e não as podemos descurar.
Por hoje é isto.
Força, Foco e Fé para todos nós!
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